postheadericon Concurso da ACervA Mineira – 3ª edição

Proposta do concurso:

1.1 – O III Concurso ACervA Mineira de Cervejas Artesanais é um concurso aberto aos cervejeiros caseiros da ACervA Mineira e sem fins lucrativos, promovido pela própria instituição, cujo objetivo é promover e divulgar cultura cervejeira, prestigiar o movimento homebrewer crescente no estado de Minas Gerais, além de servir como preparatório para participação dos cervejeiros da associação no 8º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais.
Fonte: Regulamento do III Concurso da ACervA Mineira

Sobre os estilos:

O guia escolhido como base foi o bjcp (Pdf em português do guia).
Os estilos foram:
American Amber Ale (10B)
Robust Porter (12B)
Saison (16C)
Vienna Lager (3A)
Estilo Livre (BJCP 23) – Escola mineira de cerveja

A festa de premiação:

A festa de premiação da ACervA Mineira ocorre desde o primeiro concurso no dia 21 de Abril. Como podem imaginar, a data possuí todo um simbolismo por ser dia de Tiradentes, mártir da inconfidência mineira.

Festa de premiação do Concurso

Festa de premiação do Concurso.

Resultados:

American Amber Ale

1°Lugar:
Reinaldo Barros e Pedro Gusmão
2°Lugar:
Fabiano Carvalho
3°Lugar:
Cristiam Rocha

Robust Porter

1°Lugar:
Cristiam Rocha
2°Lugar:
Renato Buaiz e Adriano Ferreira
3°Lugar:
Fabiano Carvalho

Saison

1°Lugar:
Kelvin Azevedo

Kelvin, vencedor da categoria Saison.

Kelvin, vencedor da categoria Saison. (Foto: Carlos Henrique)

2°Lugar:
André Tiso
3°Lugar:
Cristiam Rocha

Vienna Lager

1°Lugar:
Cristiam Rocha
2°Lugar:
Fabiano Carvalho
3°Lugar:
Bernardo Gosling

Estilo Livre

1°Lugar:
Daniel Draghenvaard com sua Barlei UAIne do Jequitinhonha, cerveja hibrida com Steinbier, sem lúpulo, fervida com pedras incandescentes, feita com grãos de cevada maltada e milho verde. Maturada com jenipapo e em chips de madeira jatobá.

Daniel recebendo as parabenizações do Juliano.

Daniel recebendo as parabenizações do Juliano. (Foto: Carlos Henrique)

2°Lugar:
Giovani Mendes com sua Dubbel feita com geléia de pimenta rosa com rapadura.
3°Lugar:
Carlos Henrique com a sua BlackWit com cascas de limão siciliano, cascas de laranja kinkan, cascas de mexirica morgot, anis estrelado, coentro, mel e polpa de cagaita.

Tinha pelo menos uma cerveja de cada participante para quem foi a festa poder experimentar.

Tinha pelo menos uma cerveja de cada participante para quem foi a festa poder experimentar.

Fica aqui meus parabéns a todos os premiados. Tive a oportunidade de experimentar algumas das campeãs, e realmente todas estavam dignas de premiação.
Inclusive, tive a oportunidade de experimentar as cervejas do Cristiam antes do evento, em Juíz de Fora, e todas estavam sensacionais, a Saison dele ficou espetacular. Para quem não se lembra, citei o Cristiam no artigo sobre o Boi na Curva.

Minha participação:

Foi a primeira vez que participei de um concurso cervejeiro. Participei apenas no estilo Saison.

O estilo:

Escolhi participar com o estilo Saison, devido a facilidade de se fazer uma cerveja deste estilo. Ele pode ser fermentado em temperaturas mais altas, a brassagem quase sempre é feita em rampa simples e não exige uma grande clarificação. No momento que fiz essa cerveja, estava testando meu novo equipamento, uma espécie de fundo falso, na qual obtive ótimos resultados. Se soubesse do resultado da clarificação provavelmente teria tentado participar com uma American Amber Ale.

Um estilo sazonal de verão produzido na Valônia, região da Bélgica onde se fala francês. Produzido originalmente ao final da estação fresca para que perdurasse durante os meses mais quentes, quando a refrigeração ainda não era comum. Tinha que ser robusta o suficiente para durar por quatro meses, mas não tão forte a ponto de deixar de ser refrescante e apropriada para o verão. Atualmente é produzida o ano todo em minúsculas cervejarias artesanais, cujos prédios refletem suas origens como casas de fazenda (farmhouses).
Fonte: BJCP

Analisando os outros pontos do bjcp, levantei as características chaves: Seca, aroma condimentado, no sabor condimentado ou terroso, corpo leve, alta carbonatação, ácida, cítrica (A acidez e o cítrico, podem ser provenientes de contaminação por Lactobacillus). Pode haver adição de especiarias e frutas, normalmente produzidas no local.

Hortelã que viria a ser usada na produção.

Hortelã que foi usada na produção.

Receita

Pré-brassagem:

Kinkan utilizado na produção.

Kinkan utilizado na produção.

Tirando o básico: lavar, sanitizar, verificar instalação elétrica, verificar sensores e tudo mais. Antes da brassagem preparei 500ml de polpa de melancia(sem casca, ou partes brancas) e 500gr de polpa de Kinkan (com casca e tudo).
Além disso, enquanto a água chegava aos 69°C, fiz a moagem do malte, 5Kg de malte Pilsen.

Melancia batida com o auxílio de uma Juicer.

Melancia batida com o auxílio de uma Juicer.

Brassagem:
Coloquei o malte que estava em temperatura ambiente na água que estava em 69°C. Isto fez a temperatura do mosto ser um pouco menor que os 69°C. Defini como set-point no meu controlador a temperatura de 67°C. Uma brassagem em uma temperatura um pouco mais baixa, deixa a cerveja mais seca. Talvez 67°C não tenha sido suficiente para deixar a cerveja seca, talvez 66°, ou até mesmo 65°C deixem a cerveja mais seca.

Recirculação:
Recirculei bastante, aproveitei a oportunidade para testar meu novo método de clarificação, uma variação do fundo falso. No começo da recirculação, assim que a cama do malte estava formada, adicionei sobre a cama do malte a melancia e o Kinkan. Deste modo, o que geraria turbidez a cerveja, ficou preso nas cascas do malte, enquanto o que poderia ser dissolvido foi dissolvido.
A recirculação ocorreu com 78°C (no sensor). Como o sistema deixa o mosto pingando, a temperatura média deve ter ficado bem abaixo disso.

Foto durante a recirculação.

Foto durante a recirculação.

Lavagem:
A água foi aquecida até 75°C, e misturada ao mosto em recirculação. Desde modo fui colocando água até chegar na densidade que queria. A quantidade bateu com o que previa o BeerSmith fazendo uma lavagem convencional.
Infelizmente fui descobrir depois da cerveja pronta que meu refratómetro estava descalibrado. Portanto, todas as medidas envolvendo densidade podem estar erradas (não sei em que momento ele perdeu a calibração), por este motivo vou evitar citar os valores.

Fervura:
Foram 90 minutos de fervura. Sendo que faltando 60min adicionei 12gr de lúpulo Hallertau Tradition. E faltando 30 minutos adicionei 500gr de limão siciliano fatiado e mais 12gr de lúpulo Hallertau.
No final da fervura tinha algo em torno de 19,5l.

Limão Siciliano usado na produção.

Limão Siciliano usado na produção.

Resfriamento:
Minha panela funciona como uma espécie de banho maria. Ela possuí uma camisa, onde fica água, e as resistências elétricas esquentam esta água no lugar de esquentar diretamente o mosto.
Para resfriar, o que faço é desligar as resistências, esvaziar a camisa, e enquanto esvazia, vou colocando água em temperatura ambiente. É incrível a velocidade com que resfria.
Para terminar de resfriar, transferi para um balde e foi para caixa de isopor com gelo.

Inoculação da levedura:
Antes de inocular a levedura, pasteurizei 800gr de mel a 78°C em banho maria, e recipiente fechado (do mel). O mel ficou neste banho por cerca de 10minutos. Antes de inocular a levedura misturei o mel.
Com o mel bem misturado ao mosto inoculei a levedura. Simplesmente abri o saquinho e polvilhei por cima do tanque.
A levedura utilizada foi a T-58.

Fermentação:
A fermentação ocorreu em temperatura ambiente. Meu principal objetivo era obter aromas condimentados com a alta temperatura de fermentação. Pelo meu acompanhamento a temperatura foi de cerca de 27°C, e durou cerca de 5 dias.
Para garantir que realmente foi tudo fermentado, deixei 7 dias na temperatura de fermentação. Fiz uma transfega, e deixei por mais 7 dias na temperatura de fermentação.

Foto durante a transfega.

Foto durante a transfega.

Maturação:
No dia que ela foi para maturação a 0°C, separei um punhado de hortelã e deixei em um pote de vidro fechado com cachaça. Essa hortelã ficou em infusão por 7 dias. No sétimo dia, coei o líquido e coloquei no tanque de maturação, onde a cerveja ficou mais 7 dias maturando a 0°C.

Hortelã em infusão para preparo da essência.

Hortelã em infusão para preparo da essência.

Envase:
Para envase cheguei ao valor de 7,2gr/l. Misturei em água, fervi, e misturei a cerveja enquanto fazia uma transfega para um balde com torneira. Depois da cerveja engarrafada, para minha surpresa, tinha apenas 16,5l no tanque, o que resultou em uma proporção de 8,7gr/l. Apesar disso, nenhuma garrafa explodiu, e ainda fiquei com o sentimento que poderia ser mais carbonatada.
Foram longos 35 longos dias desde a brassagem até a primeira garrafa ser aberta. Chegou ao concurso com 42 dias.

Cerveja antes do envase (Sem gás).

Cerveja antes do envase (Sem gás).

Avaliação no concurso:

Fui avaliado por 3 juízes, sendo dois da categoria recognized do bjcp, e um cervejeiro profissional.
As notas foram respectivamente 27,26 e 23. Lembrando que os juízes não tem nenhuma informação sobre a cerveja (de quem é, o que foi colocado nela, como foi o processo), a única informação é o estilo em que foi inscrita.
Analisei as 3 fichas, e fiz uma junção delas.

Aroma: Aroma maltado, que remete a pão. Especiarias verdes também presentes. Lúpulo não perceptível no aroma.
O juiz que me deu a menor nota, encontrou diacetil no aroma (defeito que lembra manteiga rançosa, parecido com o aroma de pipoca de microondas), o que me faz perder pontos significativos com ele, em aroma e na impressão geral.

Aparência: Dourada, límpida, boa formação e retenção de espuma.

Sabor: Adocicado do malte presente, baixa acidez, especiarias verdes e cítrico ao fundo. Amargor de baixo a inexistente.

Sensação na boca: Corpo de leve a médio, poderia ser mais carbonatada para o estilo, faltou efervescência.

Impressão geral: Cerveja de boa aparência, corpo adequado, sem defeitos provenientes da fermentação. Para o estilo não pode conter o adocicado do malte. Poderia ser mais carbonatada e ácida.

Primeira garrafa aberta.

Primeira garrafa aberta.

Para o futuro:

Para decepcionar um pouco os que querem experimentar, restam pouquíssimas garrafas e não pretendo repetir exatamente a mesma receita por agora. Pessoal na festa me incentivou a tentar novamente uma cerveja com melancia, mas dificilmente tentarei essa mesma receita, afinal, a graça de ser cervejeiro está em beber cada dia uma cerveja diferente!

About Victor Hugo
Nasci e moro em Belo Horizonte. Sou Técnico em Mecatrônica pelo CEFET-MG, e estudante de Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações pela PUC-MG. Profissionalmente atuo no mercado de Automação Industrial bem antes de conhecer cerveja, uma paixão que deu origem a este blog e a outras ferramentas que utilizo em minhas produções. Desde 2012, por hobby, produzo cerveja, sendo este blog criado em 2013 para me auxiliar a organizar as idéias e passar para frente o que venho aprendendo.

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