postheadericon Clube da Cerveja 201

O Clube da Cerveja 201:

Clube da Cerveja 201

Clube da Cerveja 201

A cada encontro da CTP (Confraria Tipo Pilsen) procuramos realizar em um local diferente, o último encontro ocorreu no Clube da Cerveja 201. Decidi escrever sobre o clube antes de publicar um artigo sobre o estudo que ocorreu no encontro, que foi sobre Barley Wine.

Quem nunca sonhou em ter seu próprio bar, chamar os amigos em um sábado a tarde, beber boa cerveja com excelentes petiscos? Foi nesta ideia que a Ludmilla investiu em abrir o seu bar.

 

Localização e contato:

Chopp da Kud no Clube da Cerveja.

Chopp da Kud no Clube da Cerveja.

O Clube fica no Água Branca, em Contagem, na rua Custódio Maia, 201 (515 no Google Maps).
Sugiro fortemente antes de sair de casa, anotar o número de telefone (31 9590-2935).
Chegando ao clube, perceberá que o portão fica fechado, é preciso buzinar ou ligar para que algum funcionário abra para você. O portão fechado e a ausência de placas trazem a sensação de um lugar mais exclusivo, quase que fechado para convidados.

 

Ambiente e atendimento:

Lugar aconchegante e calmo.

Lugar aconchegante e calmo.

Ao entrar no clube a primeira sensação é a de um sítio, ou melhor, o ambiente é o de sítio. Um clima meio bucólico, com bastante verde, mesas bem dispostas, e a cozinha é aberta, sendo possível ver o que a cozinheira está preparando. Por min só faltou uma lagoa para que pudesse pescar.
Logo ao chegar, fui recebido pelos pais da Ludmilla, idealizadora do bar e em seguida encontrei a Ludmilla com quem tínhamos combinado de usar o espaço do Clube e o que pretendia fazer.

 

Cardápio:

Língua ao molho cervejeiro.

Língua ao molho cervejeiro.

Em clima bem mineiro, o cardápio é rotativo, apesar de alguns pratos serem fixos, como a Carne de Sereno e o SweetPig (Costelinha ao molho agridoce). O cardápio dos petiscos é escolhido pelos sócios a medida que vão surgindo os novos pratos.

 

Cervejas:

Chopp da Falke sendo servido.

Chopp da Falke sendo servido.

Sempre tem um chopp da Falke e um da Kud. Desta vez tinha o Red Baron da Falke e o Tangerine da Kud, mas eles costumam mudar. Além das cervejas onTap, sempre tem diversas garrafas. As garrafas também são rotativas, a Ludmilla quem escolhe, procurando novidades e cervejas de alta qualidade. Todas as cervejas são degustadas antes por ela, certificando que o cliente terá uma cerveja de qualidade.

Uma promoção que existe no Clube desde o seu início (pelo menos desde que conheço), é a promoção da Caldereta. O Chopp é servido em taças de 300mL, porém com a caldereta você recebe 450mL e paga o mesmo preço. O valor da caldereta é de R$35,00 e vem cheia. Pelas minhas contas, no valor atual do chopp, são precisos aproximadamente 7 chopps para a caldereta se pagar.

 

Conclusão sobre o clube:

Um dos espaços do Clube da Cerveja 201

Um dos espaços do Clube da Cerveja 201

Ambiente agradável, excelentes petiscos, cerveja cuidadosamente selecionada por quem entende. Só a localização que me impede de ir lá mais vezes, para min é impossível ir de ônibus e um táxi é completamente inviável.

Se fosse sugerir alguma melhoria, seria negociar com algum serviço de van, ou táxi, para fazer o translado de clientes que reservassem. Por exemplo, somos 4 no CTP, coloque mais duas mesas com 3 pessoas cada, já dá para encher uma pequena van.

 

Observações:

As fotos foram retiradas da página do facebook do clube.
O Clube da Cerveja aceita cartão Visa e Master.
O espaço pode ser reservado para eventos particulares.
É sempre recomendado ligar antes para saber se o clube estará aberto.

postheadericon Growlers, uma boa forma de ter chopp em casa.

O que é?

O Bob já havia falado deles em seu blog:

http://vejasp.abril.com.br/blogs/cervejas/2014/09/por-que-voce-ainda-vai-trocar-suas-garrafas-por-um-growler/

Growler é um garrafão de vidro ou cerâmica com uma tampa fácil de fechar e abrir. Pode ser usado para ser enchido de cerveja, e a cerveja consumida até dias depois (se o growler for armazenado refrigerado).

Growler sendo cheio.

Growler sendo cheio.

 

 

Como usar?

Seu uso apesar de simples, requer alguns cuidados, para garantir que a cerveja esteja boa no momento do consumo.

 

Enchimento:

O grande truque para se encher o growler é evitar ao máximo a formação de espuma, pois além de perder parte do gás, fica difícil dimensionar se o growler foi cheio corretamente.
Alguns fabricantes de equipamentos para cervejeiros desenvolveram algumas soluções que podem ser encaixadas na chopeira, e permitem encher o growler do fundo para o topo. Estas soluções evitam a formação de espuma excessiva e ajudam a manter o gás.

Growler Filler, mecanismo para enchimento de Growler.

Growler Filler, mecanismo para enchimento de Growler.

 

Consumo:

A regra do Growler é bem simples: “Abriu, bebeu.”. Após aberto o gás começa a se perder rapidamente, portanto, uma vez aberto deve ser consumido na ocasião. De um dia para o outro já corre-se o risco de ter a bebida sem gás algum.
Antes de aberto, se guardado na geladeira, consegue manter a bebida em boas condições por alguns dias, já recebi relatos de amigos que deixaram até 1 mês sem problemas. Não recomendo guardar mais do que 14 dias para o consumo.
Uma dica para quem quer deixar a cerveja guardada um período mais longo, é sanitizar o growler com ácido peracetico ou iodo, logo antes do envase, garantindo assim que nenhum microorganismo vá desenvolver dentro do growler.

 

Growler cheio de Doppelbock da cervejaria Profana.

Growler cheio de Doppelbock da cervejaria Profana.

Limpeza:

Após o consumo é preciso limpar o Growler imediatamente, com água corrente e detergente.
Se for mante-lo guardado um bom tempo, recomendo guarda-lo seco.
Caso vá enche-lo novamente em pouco tempo, guarda-lo cheio de água evita o trabalho de seca-lo.
Nunca o guarde úmido ou com resquícios de cerveja dentro, depois para limpa-lo o trabalho será bem maior, além do risco de desenvolvimento de bolores e mofos no interior.
Alguns cervejeiros (como eu), gostam de sanitizar o growler instantes antes do envase, garantindo assim que a cerveja não seja prejudicada por qualquer contaminação que possa haver dentro do growler. Esta sanitização não é necessária, lavar com água e sabão e enxaguar bem já é suficiente. Alguns lugares recomendam que o último enxague seja com água fervendo, garantindo assim uma sanitização.

Growlers em solução sanitizante.

Growlers em solução sanitizante.

 

Cervejarias que apoiam:

Em Belo Horizonte:

Em Belo Horizonte nenhuma cervejaria tem (ainda) uma política para enchimento de growlers. O que faço é combinar antes com a cervejaria a melhor forma de enche-los. Combinando antes dá para conseguir bons preços.

Um bar que já teve um clube do growler foi o Adriano, o Imperador da Cerveja, mas já tem alguns bons meses que não tenho notícia do clube. Infelizmente nunca participei do clube.

O Rima dos Sabores também enche Growlers, mas é preciso combinar antes.

Com a lei seca tenho evitado beber em alguns eventos, então levo os growlers para serem cheios com as novidades e experimento depois em casa.

Uaimií Dortmund, que pude encher o Growler no Uaiktoberfest.

Uaimií Dortmund, que pude encher o Growler no Uaiktoberfest.

Conversando com o Normando, cervejeiro da Uaimií, ele pretende criar uma política de enchimento de Growlers no seu pub, no Sion.

 

Fora de Belo Horizonte:

A única cervejaria brasileira que tenho conhecimento de uma política regular de enchimento dos growlers é a BodeBrown.

Growler comercializado pela BodeBrown

Growler comercializado pela BodeBrown

Segundo informações da própria BodeBrown, qualquer growler pode ser utilizado. A data e qual chopp são divulgados na página deles no facebook: http://www.facebook.com/bodebrown, os growlers são cheios no período da manhã e o preço do litro atualmente está em R$15,00.

 

Mudanças do chopp para o Growler:

Devido a forma como os growlers são cheios, há uma pequena perda da carbonatação, mas não o suficiente para prejudicar a bebida. Mesmo cervejas leves e de aromas sutis, o growler consegue manter por alguns dias.

Para solucionar este “problema” já desenvolveram uma tampa especial, que permite injetar CO2 na garrafa antes de abri-la.

Tampa que mantém, e pode aumentar, a carbonatação da bebida dentro do Growler.

Tampa que mantém, e pode aumentar, a carbonatação da bebida dentro do Growler.

postheadericon Wee Heavy e o Concurso da Bierland

Participação no Concurso da Bierland:

Inscrição:

Enviaram na lista da ACervA um e-mail falando sobre o concurso da Bierland, incentivando o pessoal a participar. Por ser um estilo difícil de fazer e não ser o tipo de cerveja que faço para consumir no dia a dia, optei por não participar.
Ainda no embalo do aprendizado dos últimos concursos, o Fábio Borba fez sua inscrição.
Como já disse antes aqui no blog, concursos que entregam a ficha de avaliação é muito interessante participar, pois a partir da ficha é possível obter aprendizados valiosos. No caso do concurso da Bierland, não houve custo de inscrição, apenas o de envio, mais um motivo para fazer um esforço e enviar algo.

Brasil Beer:

No dia 24 de maio, ocorreu na Brasil Beer uma série de palestras e workchops sobre os mais diversos temas relacionados com cerveja. Ao chegar no evento, encontrei com outros amigos cervejeiros, entre eles o Wallace Oliveira e o Fábio Borba.
Conversando com o Fábio, ele me disse que estava meio desanimado com o concurso da Bierland, pois é um estilo difícil de fazer, e não estava encontrando um fermento para Scotch Ale para comprar. Expliquei que não ia participar por ser um estilo que não tenho o hábito de beber, e mesmo quando bebo, são pequenas quantidades. Mesmo uma leva de 20L seria muito para mim.
Após a palestra da BIO4 sobre leveduras e fermentação, foram sorteados alguns vials da Sy33 – Scottish Ale, e fui sorteado. Na hora que li o nome da levedura no vial, chamei o Fábio e o Wallace para fazermos esta cerveja.
Entre a Brasil Beer, e elaborar a receita, fomos trocando e-mails (foram mais de 30 e-mails), até decidir reunir para montar a receita.
A discussão para esta cerveja veio a dar origem a nossa Confraria (CTP), que hoje conta com mais um integrante.

Palestra da Bio4 na Brasil Beer.

Palestra da Bio4 na Brasil Beer.

Elaborando a receita:

Cada um foi fazendo seu estudo individual, com base no bjcp, sites, blogs, livros, enfim, o que dava para conseguir. Nos encontramos no “Adriano, O Imperador da Cerveja”, um dos bares de Belo Horizonte que apoiam o movimento cervejeiro, eleito pela revista Veja BH o melhor Chopp de BH.
O Fábio tem o BeerSmith no celular, o que facilitou bastante nosso trabalho. Fomos lendo o bjcp, e discutindo o que era melhor para obter cada uma das características chaves do estilo.

Preparo:

Fiz um starter de 2L com o vial da levedura por 48hrs. Ficou 24hrs na geladeira, onde o fermento decantou. Descartei o sobrenadante, e adicionei mais mosto a levedura, voltando a ter 2L. Este novo starter durou pouco mais de 48hrs (aproximadamente 60hrs), saindo do stir plate somente no momento de inocular no mosto.
Os maltes e o lúpulo foram comprados um dia antes, na Casa OLEC. Compramos o malte já moído, o que nos dá um precioso tempo no dia da brassagem.

Wallace adicionando o lúpulo no início da fervura.

Wallace adicionando o lúpulo no início da fervura.

Produção:

Devido as regras do concurso, não posso postar muitos detalhes da receita. Resumindo, foram 23,25Kg de malte, para cerca de 40L de mosto. Ao final da fervura, dividimos o mosto em duas partes, onde cada uma recebeu uma parte do starter. Um balde ficou com o Fábio, o outro com o Wallace. Onde cada um cuidou da fermentação, maturação e envase. Sempre discutindo por e-mail e whatsapp o que era melhor a se fazer.

Brinde com hidromel no final da Brassagem.

Brinde com hidromel no final da Brassagem.

Degustação e envio:

Após o tempo de primming, que foi feito acompanhando um manômetro em uma das garrafas do Fábio, experimentamos a cerveja no Lamas Bier, para decidir qual das duas enviar. Optamos pela que o Wallace cuidou. A diferença era bastante sutil, foi difícil decidir qual enviar.
O Fábio ficou responsável pelo envio. Cervejas enviadas pelos Correios, só devemos ter o cuidado de uma garrafa não bater na outra, ou no caso da caixa cair, a garrafa não bater no chão.

Resultado do concurso:

Ficamos bastante felizes em saber que chegamos a final. Isto é sinal que o estudo intenso e o trabalho em equipe foi fundamental para obter o resultado desejado. Sem o Fábio e o Wallace, com certeza absoluta, não enviaria cerveja para este concurso.
Não foi dessa vez que chegamos ao pódio, mas nos aguardem nos próximos concursos! Em breve, com as fichas em mãos, poderemos modificar nossa receita para atingir o resultado esperado.
Parabéns aos vencedores. Tenho certeza que as cervejas estavam excepcionais.

Resultado do concurso da Bierland.

Resultado do concurso da Bierland.

Experimentos e envelhecimento:

Foi consenso entre nós envelhecer a cerveja por um ano, ou mais, para ver como a cerveja modificará com o tempo.
Algumas experiências são inevitáveis. O Fábio optou por colocar cera nas tampinhas de algumas garrafas. Deu um efeito bastante interessante.
Outra novidade nossa, é um rotulo padrão para as cervejas que pretendemos guardar ou presentear alguém. Neste rótulo podemos escrever informações básicas, como ABV, OG, FG, IBU, além das datas de cada ação.

Garrafas do Fábio com a cera e rotuladas.

Garrafas do Fábio com a cera e rotuladas.

No caso da Wee, foi preenchido com os dados:
ABV: 9,2%
OG: 1100
FG: 1032
Brassagem: 15/06/2014
Maturação: 18 dias
Envase: 18/07/2014
IBU: 18,5.

 

Estilo Wee Heavy:

IPA está para o lúpulo, assim como Wee Heavy está para o malte. Enquanto os amantes das cervejas amargas amam as IPAs, os amantes das cervejas maltadas em algum momento esbarram no estilo Wee Heavy.

Aroma:

“Profundamente maltoso, com caramelo frequentemente aparente. Aromas secundários, como turfa, terroso e/ou fumaça também podem estar presentes, adicionando complexidade. A caramelização é frequentemente confundida com diacetil, o qual deve ser de baixo a ausente. Ésteres de baixo a moderado e álcool estão frequentemente presentes nas versões mais fortes. Lúpulo de muito baixo a ausente”

Comentários: O caráter maltoso é fruto da escolha dos maltes, e de fervura intensa e prolongada. Aromas de turfa, terroso e fumaça são provenientes do uso de maltes defumados e turfados (peated). Os Ésteres são frutos da fermentação, que neste estilo deve ocorrer em temperatura mais baixa. A medida que o abv aumenta, naturalmente estes ésteres aparecem, mesmo fermentando em temperaturas mais baixas.

Aparência:

“Cor de cobre claro a castanho escuro, frequentemente com reflexos rubi profundos. Límpida. Normalmente possui um colarinho bege e volumoso, o qual pode não ser persistente nas versões mais fortes. “Lágrimas” de álcool podem ser evidentes nas versões mais fortes”

Comentários: A aparência é fruto da escolha dos maltes e controle da fermentação. Uma fermentação sem controle não será capaz de produzir o colarinho persistente, nem as “lágrimas”.

Sabor:

“Ricamente maltoso, com caramelização por fervura frequentemente aparente (particularmente nas versões mais fortes). Notas de malte torrado ou de fumaça podem estar presentes, bem como algum caráter de nozes – todos os quais podem perdurar até o final. Sabor e amargor de lúpulo de baixo a médio baixo, portanto o sabor do malte deve dominar. Diacetil de baixo a ausente, embora a caramelização possa algumas vezes ser confundida com diacetil. Ésteres e álcool normalmente estão presentes em níveis de baixos a moderados. Os ésteres podem sugerir ameixas, passas ou frutas secas. Normalmente cheio e doce no palato, mas o final pode ser doce a médio-seco (devido ao uso de pequenas quantidades de cevada torrada).”

Comentários: Logo na primeira frase é possível perceber que o uso de maltes defumados e/ou turfados são desejados neste estilo, além de maltes escuros, que trazem notas de nozes. A baixa lupulagem, somada a grande carga de malte, torna esta cerveja com caráter puramente maltado. Os ésteres são fruto da fermentação, principalmente escolha da levedura. O único cuidado que se deve tomar, é não exagerar no malte torrado, para que ele não tire o equilíbrio entre os maltes utilizados, afinal, não trata-se de uma stout ou porter, mas um estilo menos torrado que ambas.

Sensação na boca:

“Corpo de médio-cheio a cheio, com algumas versões (mas não todas) apresentando uma viscosidade espessa e pesada. Um calor alcoólico macio normalmente está presente e é bem-vindo, já que este equilibra o dulçor do malte. Carbonatação moderada.”

Comentários:A sensação na boca tem 2 origens. A primeira é decorrente da atenuação. Se a cerveja atenuou muito, o corpo será baixo, e portanto não terá a sensação de corpo cheio. Se a atenuação foi de médio para baixa, a FG será maior, e consequentemente um corpo maior. A segunda origem, é a carbonatação, que ajuda a trazer a sensação de corpo.

Impressão Geral:

“Rica, maltosa e frequentemente doce, o que pode ser sugestivo de uma sobremesa. Os sabores secundários complexos do malte evitam uma impressão unidimensional. A intensidade e a maltosidade podem variar.”

Comentários:Complexidade de malte pode ser proveniente do uso de maltes complexos (como o Special B, que traz diversas notas), ou o uso de uma grande variedade de malte. É possível encontrar no mercado exemplos com 8 a 12 variedades de maltes neste estilo.

Ingredientes:

“Malte-base pale bem modificado, com até 3% de cevada torrada. Pode ser utilizado um pouco de malte cristal para ajustar a cor; contudo, o dulçor normalmente não vem desse malte, mas da baixa lupulagem, altas temperaturas de mosturação e caramelização do mosto durante a fervura. Uma pequena proporção de malte defumado pode adicionar profundidade, embora o caráter de turfa (algumas vezes percebido como terroso ou de fumaça) também possa ser oriundo da levedura e da água local. Embora a presença de lúpulo seja mínima, o emprego de variedades inglesas é mais autêntico. Água razoavelmente mole é típica.”

Comentários: É o que já comentei nos outros tópicos. É um estilo que a estrela é o malte. Pode-se usar como malte básico o Pilsen ou o Pale Ale. Um pouco de malte Crystal trás cor e complexidade, malte defumado e/ou turfado trás complexidade. Associado a média/baixa atenuação e baixa lupulagem, torna-se uma cerveja doce. Combinada com o ABV relativamente alto, é um estilo fantástico e perigoso.

Comentários e História:

“Também conhecida como “wee heavy”. Fermentada em temperaturas inferiores à maioria das ales e com nível de lupulagem mais baixo, resultando em sabores de malte limpos e intensos. Apropriada para sua região de origem, com malte abundante e baixas temperaturas de fermentação e envelhecimento. O lúpulo, por não ser nativo da Escócia e caro de se importar, era
limitado ao mínimo.”

Comentários:Lupulagem baixa, muito uso de malte, fermentação limpa e envelhecimento desejado. Não tem mistérios, a dificuldade maior do estilo é ter controle sob todas as etapas de produção e paciência para esperar chegar no ponto desejado.

Estatísticas:

OG: 1070 a 1130
FG: 1018 a 1056
ABV: 6,5 a 10%
IBU: 17 a 35
SRM: 14 a 25

Exemplos comerciais:

Bodebrown Wee Heavy:

wee_01
Marrom escura com espuma bege, densa e persistente.
No aroma, parece que acabei de abrir uma saca de malte. Notas de malte caramelizados, tostados, e turfados.
No sabor tem malte, caramelo, um leve torrado e defumado.
Corpo de médio para alto, muito bem encaixado com o álcool.

postheadericon ESBlues

Dando sequência ao estudo sobre ESB:
http://www.engenhariadacerveja.com.br/2014/esb-elaboracao-da-receita/
http://www.engenhariadacerveja.com.br/2013/esb_estudo-do-estilo/

 

Introdução

A brassagem ocorreu dia 19 de janeiro, com a presença do Marcus Froes e do Frederico de Souza.
A brassagem ocorreu ao som do Saxofone, originando o nome desta cerveja.
Ficou tão boa que estava guardando a receita final para repetir no concurso nacional das ACervAs, mas com a mudança das regras com relação ao ano passado, não poderei enviar mais de uma cerveja, e enviarei apenas a Castanheira.

ESBlues

ESBlues

 

Preparo:

Como de costume, deixei tudo preparado um dia antes.
Isto incluí limpar tudo (panela, colher, jarras, baldes, chão, parede, teto, tudo mesmo!), pesar e moer o malte, verificar se tem tudo (malte, lúpulo, levedura, sanitizante), e se está tudo funcionando (basicamente as resistências elétricas e os controladores de temperatura) e sem vazamentos. Não há muitos segredos, é ter paciência e calma para não deixar nada passar.

 

Insumos utilizados:

Receita prevista para 40L, e 75% de eficiência.
7,5Kg de malte Pilsen
2,5Kg de malte Munich
1,2Kg de malte Crystal
300gr de malte Special B
70gr de lúpulo Brewer´s Gold em 60min
50gr de lúpulo Fuggles em 30min
Em um balde utilizei 1pct de US-05, e em outro London ESB da Bio4 que propaguei e startei a partir de um tubo inclinado.

 

Brassagem:

Rampa única em 65°C por 90 minutos. Aos 60 minutos não estava passando completamente no teste do iodo, provavelmente devido a um momento no qual o controlador travou (uma pequena falha de programação da minha parte, mesmo com todos os testes, não consegui pegar esta falha), permitindo que a temperatura caísse para 60°C por cerca de 15 minutos.

Sacarificação ocorrendo.

Sacarificação ocorrendo.

Após estes longos 90 minutos, a temperatura foi elevada até 78°C por 15 minutos. Todo o mosto foi transferido para panela de clarificação, onde ficamos revesando quem recirculava o mosto. Enquanto isto, na panela “principal”, a água de lavagem era esquentada até 78°C.

Recirculação ocorrendo.

Recirculação ocorrendo.

Durou cerca de 90 minutos a recirculação, o mosto clarificado foi transferido para baldes fermentadores, enquanto ocorria a lavagem. Ao término da lavagem, o mosto voltou para panela principal, onde foi fervido por 60 minutos.

Fred retornando o mosto clarificado para a panela de fervura.

Fred retornando o mosto clarificado para a panela de fervura.

Seguindo a receita, foi feita uma adição de 70gr de brewer´s Gold logo no início da fervura. A outra adição, de Fuggles ocorreu em 30 minutos e foi de 50gr.

Adicionando os lúpulos na fervura.

Adicionando os lúpulos na fervura.

Um pequeno problema no resfriamento (já imaginava, preciso projetar um chiller para produzir levas maiores que 20L), fez com que demorasse um pouco mais para transferir para os baldes. Este mesmo problema no resfriamento, me causou um defeito na cerveja, o famoso Chill Haze.

Chill Haze. O copo a esquerda estava frio, enquanto o copo a direita quente.

Chill Haze. O copo a esquerda estava frio, enquanto o copo a direita quente.

No final, obtive cerca de 38L, que foram divididos em 2 baldes. Em um balde foi inoculada a levedura London ESB da Bio4, e no outro balde US-05 da Fermentis.

Se for repetir farei algumas modificações, visando ter uma cor levemente mais clara, e um corpo um pouco mais equilibrado. E um aumento do volume, já que agora produzo entre 45 a 50L, e não mais 40L.

Receita modificada.

Receita modificada.

 

Fermentação, maturação, envase e Primming:

Ela maturou em 10°C por 14 dias, e depois mais 14 dias em -2°C.
A cerveja ficou bastante limpa, principalmente quando quente. Quando fria, mesmo com o Chill Haze tinha uma aparência ótima.

Logo após a fermentação, a aparência estava ótima!

Logo após a fermentação, a aparência estava ótima!

O resultado foi exatamente o que esperava na época. Hoje faria aqueles pequenos ajustes, que todo cervejeiro arrisca fazer em um segundo lote de suas receitas.

 

Degustação e considerações finais:

Foto do Fábio Borba. Esta é a única produção minha, até hoje, que rotulei.

Foto do Fábio Borba. Esta é a única produção minha, até hoje, que rotulei.

Quem experimentou gostou bastante do drinkability da cerveja. O sabor de malte estava bastante presente, seguido de um final seco e amargo, foi um ponto positivo nesta receita. Como ponto negativo, o Chill Haze foi um defeito significativo na aparência. No aroma, um pouco mais de lúpulo talvez fosse desejado. No sabor, talvez um pouco menos de corpo, apesar de ter minhas dúvidas se esta sensação de encorpada era da receita, ou do excesso de carbonatação que tive.

postheadericon V Frei Tuck Biergarten

A festa:

O Frei Tuck Biergarten é uma tradicional festa mineira, que existe a 5 anos, e nasceu para comemorar os aniversários do programa Pão e Cerveja.

Como nos anos passados, a festa ocorreu em frente a Cervejaria Küd.

Como nos anos passados, a festa ocorreu em frente a Cervejaria Küd.

A festa costuma ocorrer na praça 4 elementos, em frente a Cervejaria Küd. Cada ano a organização se supera, trazendo mais cervejarias, mais stands para alimentação. Cada ano a festa atinge um número maior de pessoas, e a qualidade só tem melhorado. No palco passaram bandas de Rock, e o Clube do Vinil o que garantiu a qualidade das músicas.

Criançada se divertindo na Küd.

Criançada se divertindo na Küd.

Na praça tem uma quadra de futebol, brinquedos para crianças e bastante espaço. Isto tem incentivado os pais (e mães), a irem com seus filhos, aproveitando a festa em família.

 

As cervejas:

Todos os chopps da Küd estavam a venda, fora os chopps e cervejas das outras cervejarias.

Todos os chopps da Küd estavam a venda, fora os chopps e cervejas das outras cervejarias.

Da Küd tinha Kashimir, Blackbird, Smoke on the Water, Ruby Tuesday, Tangerine e a criação feita sob medida para o evento Yellow Ledbetter. A Yellow Ledbetter é uma Pilsen, bastante leve e suave para saciar a sede das centenas de pessoas que passaram pelo evento.

Além das cervejas da Küd tinham outras várias cervejarias, algumas de fora da região metropolitana, como a Furst Bier de Formiga e a Arthorius de Juiz de Fora.

Cervejaria Profana marcando presença. Receita nascida nas panelas, na minha opinião, a Doppelbock foi a melhor cerveja do evento.

Cervejaria Profana marcando presença.A Cervejaria Profana, é do cervejeiro Cristiam de Juiz de Fora. Atualmente ele produz nas dependências da Arthorius.

O Cristiam trouxe a sua já premiada (quando caseiro) Doppelbock. Gostei tanto da cerveja que voltei para casa com meu Growler de 2L cheio. Conversando com o cervejeiro, sei que ela tem decocção tripla, 9%abv, 60 dias de maturação, além de uma fermentação lenta.

Outra novidade foi a Pale Ale do Monge. Já considerava a Weiss do Monge, produzida pelo cervejeiro Célio, uma das minhas preferidas, a Pale Ale superou a expectativa, estava deliciosa.

 

Na esquerda Peripécia, na Direita Cervejaria do Monge.

Na esquerda Peripécia, na Direita Cervejaria do Monge.

Também bebi a Pale Ale da Ouro Pretana, a Umburana Porter também da Ouro Pretana, a Tripel da Peripécia, a Petroleum da Wäls. Todas muito boas. Outra cervejaria que é importante lembrar, a Cuesta. A cervejaria Cuesta nasceu nas panelinhas do cervejeiro Sardinha.

 

Stands de comida:

Gampa´s Attic e Bacon Paradise foram alguns dos stands de comida. O Stand que mais me chamou a atenção foi o da Chef Juliana, talvez por já conhecer seu trabalho, e do André que estava trabalhando com ela. Não irei comentar sobre os outros stands, por não ter comido neles. Um dos motivos de não ter conseguido passar por todos os stands de comida, foi devido a alguns stands terem acabado a comida bem antes do final do evento (e, infelizmente, minha única crítica ao evento).

Chef Juliana Moronari. No seu stand tinha carne cozina na cerveja, lombo com batata e sorvete de Blackbird.

Chef Juliana Moronari.

Pude experimentar a carne cozida na cerveja, o lombo com batatas (quando comi as batatas tinham acabado), e o sorvete de Blackbird. Todos os pratos, sem exceção estavam deliciosos. A carne cozida na cerveja tinha um caldo delicioso, que entrou na carne e na cebola, dando um toque único.
O sorvete também foi uma experiência interessante. A maioria dos sorvetes comuns no mercado, são excessivamente doces. Este por outro lado, tinha um dulçor, mas que era compensado pelo sabor da Blackbird, entre o amargo e torrado. Acho que a Juliana deveria montar uma fábrica, e vender este sorvete nos bares.

 

FT Homebrew:

O FT Homebrew é um concurso de cervejas caseiras de Belo Horizonte, que nasceu dentro do bar Frei Tuck, com o objetivo de premiar a melhor cerveja caseira de Belo Horizonte. Este concurso tinha o nome de BH Homebrew. Este ano o concurso mudou de nome, para FT Homebrew, já que a festa ocorre em Nova Lima, com um excelente apoio da prefeitura, e não em Belo Horizonte.

O resultado é divulgado ao vivo, na CBN, durante o programa pão e cerveja. O programa Pão e Cerveja vai no ar todas as sextas, as 11:30 em Minas Gerais.

O grande diferencial deste ano foi a premiação para o 1° lugar do concurso, que terá sua cerveja produzida na Cervejaria Küd, e será lançada no mercado como a cerveja comemorativa do programa Pão e Cerveja.

A lista de finalistas foi: Fábio Borba, Giovanni Nogueira Mendes, Marcelo Cardoso Machado, Marcelo Ribeiro Barbosa, Marcelo Toledo e Renato Belloni.
O vencedor foi o Giovanni Mendes com uma Roggenbier. Em segundo lugar o Fábio Borba com uma ESB com centeio e em terceiro lugar o Marcelo Toledo com uma Irish Red Ale.
Parabéns aos finalistas e premiados. Parabéns a organização, do corpo de jurados aos voluntários, que fazem este concurso e evento possível, e mais importante, com qualidade.

Os premiados do FT Homebrew no palco recebendo seus prêmios.

Os premiados do FT Homebrew no palco recebendo seus prêmios.

Minha participação no concurso:

Já devo ter falado aqui antes, o importante de participar deste tipo de concurso é receber de volta as fichas de avaliação. Com as fichas de avaliação em mãos, consigo descobrir os defeitos e falhas no processo que preciso melhorar, e adaptar minha receita para atingir o resultado que esperava.

Enviei para o concurso duas cervejas. Uma ESB que durante a maturação adicionei chips de madeira cerejeira. E uma Porter, que na hora de entregar as garrafas estava na dúvida se enviava como Brown Porter ou como Robust Porter. A receita era de uma Robust, porém o malte black que utilizei estava velho, e não passou tanto sabor de torrado quanto esperava. Além do mais, ela maturou por pouco tempo, o que dificultou mais ainda minha análise. Acabei enviando como Brown Porter. Agora com as fichas em mãos, sei onde errei e posso trabalhar para melhorar.

Brown Porter: Como suspeitei, a cerveja estava verde. Recém carbonatada, o que gerou como defeito enxofre. Por isso perdi muitos e muitos pontos. Mas estou feliz, o comentário do mestre Falcone foi: “A cerveja se apresenta dentro do estilo, bem construída. Tem um defeito no aroma.”

ESB com Cerejeira: Como imaginei, a cerveja seria considerada fora de estilo. Não é uma wood-aged. É uma ESB que joguei lascas de cerejeira de tosta muito baixa, ou seja, não era aged, nem wood. Ficou fora do estilo, como esperava. Mais correto era coloca-la como estilo livre, mesmo assim, uma cerveja de baixo drinkability.

Mais uma vez participar de um concurso se mostrou extremamente gratificante. Ter a cerveja avaliada por especialistas, com dicas para melhorar a produção, é algo único. O sentimento “Tchiss” é muito bom!

Ahoy marinheiro! Mais uma vez os piratas invadiram a Küd.

Ahoy marinheiro! Mais uma vez os piratas invadiram a Küd.

Essas e mais fotos estão na página da Küd no Facebook: https://www.facebook.com/CervejariaKud/photos_stream

postheadericon CTP: Belgian Blonde Ale

Confraria Tipo Pilsen:

A Confraria Tipo Pilsen (CTP), nasceu do desejo de quatro amigos melhorarem suas produções e buscarem aperfeiçoar seus conhecimentos. Cada reunião um fica responsável, tendo que preparar uma apresentação do objeto de estudo, comprar as amostras e escolher o local. Nesta reunião eu fiquei responsável, e o objeto de estudo foi o estilo Belgian Blonde Ale.

Membros da Confraria Tipo Pilsen

Membros da Confraria Tipo Pilsen

 

Blonde Ale (6B) vs Belgian Blonde Ale (18A):

Apesar de terem nomes parecidos, e serem confundidas, tratam-se de estilos diferentes. O estilo Blonde Ale (6B) surgiu como uma alternativa, para apresentar ao mercado uma cerveja próxima das standard e premmium lagers, porém com o espírito desejado pelas cervejarias artesanais.
A Belgian Blonde Ale se difere por ter maior teor alcoólico e uma característica mais intensa de fermentação. Sua história também é um pouco mais antiga.

 

Introdução ao estilo Belgian Blonde Ale:

No pós segunda guerra mundial, o mercado começou a ser inundado com cervejas do estilo Pilsen (e variações), e a Bélgica começa a perder mercado para estas cervejas. Visando conseguir de volta este mercado, surge o estilo Belgian Blonde Ale, que tem como objetivo colocar no mercado uma cerveja capaz de competir com as Pilsens.

Comparação entre os estilos.

Comparação entre os estilos.

Curiosidade:

Tanto Blonde quanto Blond são corretos. O termo Blond é utilizado pelos Belgas, enquanto Blonde pelos franceses.

 

BJCP:

Estatísticas:

OG: 1,062 a 1,075
FG: 1,008 a 1,018
IBU: 15 a 30
SRM: 4 a 7
ABV: 6% a 7,5%

Aparência:

“Coloração que varia do dourado claro ao profundo. Geralmente muito límpida. Colarinho de branco a quase branco, abundante, denso e cremoso, com boa retenção, apresentando rendado belga. ”

Leffe Blond, um dos melhores exemplares do estilo.

Leffe Blond, um dos melhores exemplares do estilo.

Rendado belga:

O termo rendado belga (em inglês belgian lacing), surge devido a uma similaridade entre a espuma que fica presa na borda do copo, com os rendados belgas.

Na esquerda um rendado belga, na direita o rendado belga.

Na esquerda um rendado belga, na direita o rendado belga.

Aroma:

“Leve aroma terroso e condimentado de lúpulo, acompanhado de uma suave característica adocicada do malte Pilsen. Apresenta um sutil caráter proveniente das leveduras, que pode incluir compostos fenólicos condimentados, álcool perfumado ou como mel, ou ésteres frutados e com caráter de levedura (comumente parecidos com laranja e limão). Dulçor leve, que pode possuir uma ligeira característica similar ao açúcar. Sutil, mas ainda complexo.”

O aroma é proveniente da escolha dos maltes, lúpulos e levedura. Não se deve adicionar mel, frutas ou especiarias neste estilo.

O aroma é proveniente da escolha dos maltes, lúpulos e levedura. Não se deve adicionar mel, frutas ou especiarias neste estilo.

Sensação na boca:

“Carbonatação de médio-alta a alta, podendo dar uma sensação de preenchimento da boca com bolhas. Corpo médio. Sensação quente de álcool de leve a moderada, mas ainda suave. Pode ser um pouco cremosa.”

Sabor:

“Suave, inicialmente apresenta um dulçor leve a moderado característico do malte Pilsen, mas finaliza de médio-seca a seca e com algum álcool suave se tornando evidente no retrogosto. Amargor médio do lúpulo e do álcool para equilibrar. Leve sabor de lúpulo, que pode ser condimentado ou terroso. Características provenientes da levedura extremamente amenas (ésteres e alcoóis, que são por vezes perfumados ou similares a laranja e limão). Uma branda característica fenólica e condimentada é opcional. Algum leve dulçor caramelado ou similar a mel perceptível no palato”

Açúcar caramelizado.

Açúcar caramelizado.

Cuidado com os sabores caramelizados. Quase sempre eles são provenientes de uma fervura prolongada, e raramente fruto do uso de maltes caramelizados.

Impressão Geral:

“Uma ale dourada de força moderada que possui uma sutil complexidade belga, levemente adocicada, com final seco.”

Elaborando uma receita:

Maltes:

Maltes.

Maltes.

Para malte base, o mais indicado é o malte Pilsen belga. Apesar de ser o mais indicado, qualquer variedade do malte Pilsen é indicado.

Açúcar pode ser utilizado para atingir o teor alcoólico desejado, e contribuir para o final seco desejado. Até 20% é aceitável, sendo o mais recomendado não ultrapassar 10%.

Cereais não maltados, como trigo ou aveia ajudam a formação de espuma, e a sensação de corpo. São recomendados quando se utiliza muito açúcar. O percentual deve ser pequeno, para não trazer um corpo excessivo, que prejudica o final seco da cerveja. Não é recomendado ultrapassar os 10% nesta receita, sendo o mais usual algo entre 2% a 5%.

No lugar dos cereais não maltados, o malte CaraPils atua como um auxiliador da espuma e cremosidade, sendo recomendado seu uso até 5%.

Maltes como Munich e/ou Vienna podem ser utilizados para trazer complexidade de malte, e auxiliar com o dulçor desta cerveja. Alguns maltes Pilsen vendidos no mercado nacional, são pobres em sabor, e um complemento com estes maltes auxilia um sabor que remete a pão e biscoito.

Maltes caramelizados devem ser evitados, pois poderão trazer o tipo errado de dulçor. Esta cerveja tem um dulçor de malte Pilsen e não um dulçor de caramelo intenso. Porém, maltes muito caramelizados, como o CaraMunich II, podem ser utilizados para correção da cor, em uma proporção muito pequena (2% é um bom ponto de partida).

O malte melanoidina também pode ser utilizado em pequenas proporções, como contribuinte de cor e dulçor.

Lúpulos:

Na esquerda lúpulo em flor, na direita lúpulo em pellets.

Na esquerda lúpulo em flor, na direita lúpulo em pellets.

O ideal é o uso de lúpulos com caráter terroso e condimentado. Em geral, lúpulos nobres encaixam muito bem nesta cerveja, como o Hallertau, Tettnanger, Saaz ou Spalt.

Gráfico aromático do Saaz.

Gráfico aromático do Saaz.

Lúpulos americanos não cítricos podem ser utilizados, como o Mount Hood ou o Liberty.

Gráfico aromático do Mount Hood.

Gráfico aromático do Mount Hood.

Lúpulos ingleses como o Goldings (East Kent e Styrian), ou o Fuggles, encaixam bem neste estilo.

Gráfico aromático do Fuggle.

Gráfico aromático do Fuggle.

Por se tratar de um estilo com aroma sutil de lúpulo, e uso de lúpulos com baixo ácido alfa, é recomendado uma única adição no início da fervura. Esta adição será responsável por fornecer o amargor desejado e o aroma sutil.

Leveduras:

Um bom sinal de fermentação ativa é o "Krausen", uma espuma formada durante a fermentação.

Um bom sinal de fermentação ativa é o “Krausen”, uma espuma formada durante a fermentação.

Leveduras secas temos 2 opções, sendo a S-33 e a T-58.

Por um lado, a T-58 tem melhor atenuação, e melhor sedimentação, favorecendo o final seco e a aparência límpida pedidos pelo estilo.

Por outro lado, a S-33 esterifica melhor, fornecendo o aroma de laranja e limão desejados no estilo.

 

Nas leveduras líquidas existe uma ampla variedade. Qualquer levedura que tente copiar o resultado obtido pelas trappistas podem ser utilizadas. Destaque para a WLP500 e a Wyeast 3787.

 

O usual é conseguir uma taxa de inóculo de 0,75 milhões de células por mL por °P.

Brassagem:

A brassagem depende muito da escolha dos maltes. Pode-se favorecer o final seco com uma brassagem mais próxima de 65°C, ou se utilizou muito açúcar, uma brassagem próxima de 70°C favorece o dulçor de malte. A maioria dos cervejeiros costuma brassar este estilo em 68°C, obtendo assim o melhor de cada temperatura.
Como os maltes atuais são altamente modificados, não é necessário a parada proteica, que pode inclusive prejudicar a formação de espuma. Mesmo quando se usa cereais não maltados, a parada proteica pode ser evitada, pois são utilizados em uma proporção muito pequena.
O caramelizado deste estilo, quase sempre é proveniente de uma fervura mais prolongada. Em minhas pesquisas encontrei fervuras de até 120min. O mais usual são 90 minutos de fervura, podendo variar mais ou menos 30 minutos.

Fermentação e maturação:

A fermentação quase sempre ocorre entre 18°C a 20°C, dependendo do que o cervejeiro deseja. Temperaturas mais altas favorecem a formação de fenólicos, enquanto temperaturas mais baixas produzem uma cerveja mais limpa. O segredo é encontrar um ponto no qual os aromas de fermentação se equilibrem com os aromas de malte, lúpulo e álcool da cerveja.

Exemplos do estilo:

Como exemplares para análise, foram escolhidas 4 cervejas. Sendo duas excelentes representantes belgas, e duas nacionais.

Exemplos comerciais de Belgian Blonde Ale.

Exemplos comerciais de Belgian Blonde Ale.

Bierland Bruxa:

Bierland Bruxa.

Bierland Bruxa.

Coloração dourada, colarinho fraco, pouco persistente. No aroma álcool e malte. No sabor o álcool novamente presente, sabor de malte e amargor médio. O final não é tão seco quanto o estilo pede, e o álcool excessivo prejudica um pouco a drinkability.

Affligem Blond:

Affligem Blond.

Affligem Blond.

Uma das representantes do estilo segundo o bjcp.

No copo é dourada, com boa formação e retenção de espuma. No aroma notas de fermentação e lúpulo. No sabor uma pegada um pouco amarga, mas tudo muito bem equilibrado. O final é seco e amargo.

Backer Medieval:

Backer Medieval

Backer Medieval

No copo era a cerveja mais escura, um dourado profundo. Espuma alta e bonita, mas sua duração é menor que a Affligem e a Leffe. Aromas de fermentação e caramelo presente. No sabor é doce, remetendo a caramelo. Sabores de fermentação e álcool também estão presentes. Na boca, a sensação aveludada da uma sensação de corpo alto. O final é levemente amargo, apenas para mascarar o dulçor.

 

Esta cerveja foi cuidadosamente escolhida, para mostrar a diferença de uma caramelização excessiva para o estilo. Trata-se de uma excelente cerveja, mas para concurso caseiro, pecaria pelo excesso de caramelização.

Leffe Blonde:

Leffe Blond

Leffe Blond

Uma das melhores representantes do estilo (incluindo pelo bjcp), e uma das melhores relações custo/benefício do mercado.

Dourada, muito limpa, com excelente formação de espuma. A espuma vai ficando presa na borda do copo, a medida que se mexe. Aroma de lúpulo e fenólicos de fermentação, tudo muito sutil e complexo. No sabor é doce, com álcool presente, final seco e picante. O amargor é presente, mas muito sutil e muito bem equilibrado no conjunto.

Tecnicamente, consideramos a Leffe o melhor exemplo para se perseguir em um concurso.

 

Referências:

https://byo.com/stories/issue/item/2827-belgian-blond-style-profile

http://www.homebrewtalk.com/f71/revvys-belgian-blonde-leffe-clone-202852/

http://beersmithrecipes.com/viewrecipe/11634/leffe-clone-1

http://cervejasbrasil.wordpress.com/tag/backer-medieval/

Além dos links, algumas revistas da BYO e da Zymurgy foram utilizadas.

postheadericon Reinheitsgebot, e a escola de cerveja alemã.

Reinheitsgebot:

Reinheitsgebot foi uma lei alemã que permite utilizar na cerveja apenas água, malte e lúpulo. Atualmente é utilizada por muitas cervejarias como marketing, e em algumas cervejarias alemãs como tradição.

Texto da lei alemã.

Texto da lei alemã.

 

Origem simbólica:

Conta a lenda que o Duque Guilherme IV da Baviera teria tomado uma cerveja ruim. Para garantir que mais ninguém tivesse o desprazer de tomar cerveja ruim, ele ordenou que toda aquela cerveja fosse jogada fora em praça pública, e o produtor deveria pagar uma pesada multa.

Desde 1156 já existia uma lei, promulgada em Augsburg, pelo Imperador Barbarossa, que qualquer cerveja de baixa qualidade, ou servida em medida desleal, deveria ser dada de graça aos pobres e o taverneiro deveria pagar pesadas multas. Esta lei chamava Justitia civitantis Augustecis.

Para evitar que o problema se repetisse, o Duque Guilherme, conhecedor do processo de produção de cerveja, promulgou a Reinheitsgebot. Uma lei que exigia que toda e qualquer cerveja produzida em solo alemão, deveria ser composta apenas de água, malte e lúpulo.

 

Real origem:

A origem que os livros de história contam.

A origem que os livros de história contam.

O preço do pão estava elevado, devido ao alto preço dos cereais. A maioria dos cereais era utilizada na produção de cerveja, que tinha melhor retorno, ao invés de ser utilizada na produção de pães, essencial para a população. Isto produzia no mercado uma inflação do preço do pão, acarretando em uma insatisfação da população com o governo.

Para reduzir o preço de cereais como o trigo, centeio ou aveia, a Reinheitsgebot foi promulgada. Isto garantia que apenas a cevada poderia ser utilizada na produção de cerveja, deste modo, os outros cereais somente poderiam ser utilizados na produção de pães e outras massas, atendendo a demanda da população.

Outro ponto importante da Reinheitsgebot, é a obrigação do uso do lúpulo. Antes do uso do lúpulo, era popular o uso do gruit, uma combinação de ervas e especiarias, capaz de produzir o amargor necessário da cerveja. Porém, o gruit era difícil de obter a combinação ideal, e o maior produtor era a Igreja Católica, que cobrava altas taxas para quem utilizasse sua receita. Além do mais, algumas combinações do gruit eram alucinógenas,  ou até mesmo nocivas a saúde. Portanto, além de regulamentar a produção de cerveja, a Reinheitsgebot tinha um importante contexto social-político.

Um detalhe é que a Reinheitsgebot não garante a qualidade da cerveja, uma vez que é possível obter uma cerveja com os mais variados defeitos utilizando estes ingredientes. Porém, ela favoreceu uma maior repetibilidade das cervejas, uma vez que não era possível substituir os grãos, ou utilizar diferentes combinações de ervas e especiarias.

 

A levedura:

A lei foi promulgada em 1516, mas somente no séc. IXX, Louis Pasteur viria a descobrir os microorganismos. Portanto, a lei não previa adição das leveduras.
Para garantir a fermentação na época, quase sempre as cervejas eram “contaminadas” por vestígios de uma cerveja anterior, ou por leveduras do ambiente. Não é coincidência que cervejarias eram criadas próximas a padarias.

Louis Pasteur e seu experimento que possibilitou descobrir as leveduras.

Louis Pasteur e seu experimento que possibilitou descobrir as leveduras.

Weissbier:

Você deve estar se perguntando onde entram as famosas cervejas de trigo alemãs, uma vez que não poderia se produzir cervejas com qualquer grão diferente da cevada.
Apesar da lei proibir o uso do trigo, existia uma exceção para a Hofbrauhaus, a cervejaria da corte Alemã. Esta exceção permitia a Hofbrauhaus produzir cervejas de trigo, garantindo assim a sucessão deste estilo.

Hofbräuhaus München, a cervejaria oficial da corte Alemã.

Hofbräuhaus München, a cervejaria oficial da corte Alemã.

Revogada!

A Reinheitsgebot foi revogada em 1987. O principal motivo que levou a revogação da lei, foram pesadas críticas por parte da União Europeia, pois a Reinheitsgebot dificultava a entrada de outras cervejas na Alemanha, favorecendo as cervejas nacionais.

 

Texto da lei:

Proclamamos com este decreto, por Autoridade de nossa Província, que no Ducado da Baviera, bem como no país, nas cidades e nos mercados, as seguintes regras se aplicam à venda da cerveja:
Do dia de São Miguel (29 de Setembro) ao dia de São Jorge (23 de Abril), o preço para um Litro ou um Copo, não pode exceder o valor de Munique do pfennig.
Do dia de São Jorge (23 de Abril) ao dia de São Miguel (29 de Setembro), o Litro não será vendido por mais de dois pfennig do mesmo valor, e o Copo não mais de três Heller (Heller geralmente é meio pfennig).
Se isto não for cumprido, a punição indicada abaixo será administrada.
Se todo cervejeiro tiver outra cerveja, que não a cerveja do verão, não deve vendê-la por mais de um pfennig por Litro.
Além disso, nós desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para fabricação da cerveja devem ser lúpulo, malte e água.
Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja, sem falha.
Se, entretanto, um comerciante no país, na cidade ou nos mercados comprar dois ou três barris da cerveja (que contém 60 litros) para revendê-los ao vendedor comum, apenas para este será permitido acrescentar mais um Heller por Copo, do que o mencionado acima. Além disso, deverá acrescentar um imposto e aumentos subsequentes ao preço da cevada (considerando também que os tempos da colheita diferem, devido à localização das plantações).
Nós, o Ducado da Baviera, teremos o direito de fazer apreensões para o bem de todos os interessados.

A lei fora da Baviera:

A lei inicialmente cobria apenas a Baviera, e nunca chegou a atingir 100% o território alemão. Apesar de em 1906 a lei ter se estendido para todo o território, tratava-se de uma lei mais branda, que permitia o uso de outros grãos para exportação.
Mesmo com a lei em vigor, grande parte do terrítorio alemão continuou produzindo cervejas com trigo, centeio ou aveia.

Mapa do cultivo de centeio na Europa.

Mapa do cultivo de centeio na Europa.

Referências:

http://heinekenbrasil.com.br/?Aniversario-da-Reinheitsgebot-Lei-da-Pureza-Alema
http://www.bomdecopo.com.br/post/cervejas-de-centeio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reinheitsgebot
http://www.papodebar.com/reinheitsgebot-1516-lei-da-pureza-da-cerveja/
http://www.bebendobem.com.br/2011/03/reinheitsgebot-esta-matando-a-cerveja-alema/

postheadericon Escola Inglesa: Porter!

Introdução ao estilo Porter:

Pints ao alto, vamos falar da escola inglesa.
Já havia escrito sobre ela aqui: http://www.engenhariadacerveja.com.br/2013/pale-ales-inglesas/, mas dessa vez quero ser mais detalhista, e falar de cada estilo em específico, começando pelas Porters.

East India Dock, London, 1806

East India Dock, London, 1806

Confesso que este foi um dos estilos mais difíceis de escrever. São muitos detalhes, muitas particularidades e claro, um peso enorme, por se tratar do meu estilo preferido. Por mais que tome, e goste, das IPAs, ESBs, Stouts, Ambers, Blonds, Pales, acabo retornando em algum momento as Porters. Tentei resumir o que sei do estilo, mas certamente posso ter deixado algo passar batido. Se tiver algo a acrescentar, não deixe de comentar.

Normalmente uma cerveja escura, complexa, rica em sabores e aromas. Costuma ter fortes notas que remetem a café, chocolate amargo, toffee e biscoitos. Tem alto amargor, porém este proveniente do uso de maltes caramelizados e torrados, e não do lúpulo, o que é facilmente notado no sabor. Uma família de cervejas que foi capaz de fascinar os carregadores dos portos de Londres, e hoje consegue produzir alegria tanto em iniciantes quanto nos mais experientes.

 

História das Porters:

Existem diversas vertentes sobre a possível origem do estilo. O mais provável é que por volta de 1700/1750, existiam alguns estilos de cervejas na Inglaterra, porém os consumidores costumavam pedir uma mistura entre estas cervejas (usualmente 3, mas existem registros de uma mistura de até 6).

Imagine para um bar, ter que pedir 3 barris diferentes, e na hora de servir ficar blendando estas 3 cervejas, até encontrar a mistura que o consumidor deseja. Era um processo bastante trabalhoso. Então, em 1722, Ralph Harwood, da Bell Brewhouse teve a ideia de produzir uma cerveja que tivesse a característica das 3 cervejas, porém servida a partir de um único barril. Tal cerveja recebeu o nome de “Mr. Harwood’s Entire”.

 

Billingsgate Market

Billingsgate Market

Tal cerveja foi rapidamente um sucesso nos bares, principalmente por trabalhadores manuais dos portos, que precisavam se refrescar, porém tinham pouco tempo para isso. Rapidamente a cerveja recebeu o nome de Porter, devido ao fato dos principais consumidores serem trabalhadores manuais dos portos da região.

Existem algumas divergências entre as fontes, sobre quais eram estas 3 cervejas que deram origem a Porter, em 1722 existiam 23 diferentes tipos de cerveja a venda. Ale, Beer, Twopenny, Brown Ale, Stale Brown Ale e Pale Ale são os termos mais comuns entre os historiadores. É consenso que tratava-se de uma mistura de uma cerveja clara e pouco caramelizada, uma cerveja um pouco mais escura e bastante caramelizada e uma cerveja bastante escura, composta por maltes torrados.

Outro aspecto importante da história das Porters, está relacionado com a economia da época. As Porters requeriam apenas ingredientes baratos, sua produção somente era possível em larga escala (pois requeria um bom estoque), e tinha fácil retorno, já que se tornou uma cerveja bastante popular rapidamente. O preço da cerveja na Inglaterra era regulamentado por um estatuto e não pela lei da oferta e procura. Com a Porter o cervejeiro tinha condições de cobrar preços mais altos, por uma cerveja de baixo custo, o que aumentava significativamente seu lucro, comparado com as outras cervejas.

 

Ramificações do estilo:

Segundo o bjcp (2008), podem haver 3 variações, sendo elas a Brown Porter a Robust Porter e a Baltic Porter.

Porter dentro do bjcp (2008).

Porter dentro do bjcp (2008).

Nos três casos, tem em comum a cor entre um marrom claro a um marrom bastante escuro. Aroma bastante maltado e sabor complexo, contendo sabor caramelizado e levemente torrado.

 

Entendendo o estilo:

Apesar dos 3 estilos terem características comuns, as suas diferenças são facilmente notadas e por este motivo darei um enfoque maior a Robust Porter. O termo “Robust Porter” é bastante recente, e não segue fielmente a Porter produzida na Inglaterra, que encantou os carregadores. Mas como disse o Pablo Carvalho na sua palestra para a ACervA: “Devemos seguir a regra do jogo”.
A principal diferença para uma Stout é o caratér de cevada torrada, que na Stout é muito mais pronunciado. Enquanto se comparada com uma Brown Porter, a Robust Porter apresenta um sabor torrado mais pronunciado, além de ser mais alcoólica.

Estatísticas:
OG: 1,048 a 1,065
FG: 1,012 a 1,016
IBU: 25 a 50
SRM: 22 a 35
ABV: 4,8% a 6,5%

Aparência: Entre o marrom médio ao marrom muito escuro, podendo ser quase negra. Frequentemente com reflexos rubi ou granada. Quando bem clarificada, é transparente, principalmente se vista contra a luz, do contrário deve ser opaca. Colarinho abundante, bege e de boa retenção.

Minha recomendação é que consiga clarificar bem a cerveja, para isso investir bastante tempo na recirculação, e deixa-la alguns dias próxima a 0°C, para decantar a levedura em suspensão. Se a escolha dos maltes, para sabor e aroma, tiver sido correta, a cor estará dentro do esperado.

Uma dica que recebi do premiado cervejeiro Cristiam Rocha, era perseguir a aparência da Coca-Cola. A Coca-Cola é escura, porém se vista contra a luz é algo entre o vermelho e o marrom escuro. As Porters em geral costumam ter esta aparência.

Aroma: Deve ter aroma de torrado, podendo ser até moderadamente pronunciado. Opcionalmente pode ter aromas secundários que deem suporte ao torrado, como cereais, pão, toffee, caramelo, chocolate, café e outros aromas provenientes do malte. O aroma de lúpulo pode ser baixo a alto, sendo mais perceptível nas releituras americanas, que podem inclusive ter dry-hopping. Esterés frutados podem estar presentes, de moderado a nenhum. Diacetil pode estar presente de baixo a nenhum.

Sensação na boca: Corpo médio a médio-alto. Carbonatação moderada (de baixa a alta). Versões mais alcoólicas aceitam apresentar um certo calor. Pode, apesar de quase sempre ausente, apresentar leve adstringência em decorrência do uso de maltes torrados.

Sabor: Forte sabor maltoso, normalmente contendo notas torradas, que remetem a chocolate e/ou café. Final seco e torrado. Dependendo da composição de maltes, lupulagem e atenuação, pode ter um final médio/doce. Apesar do torrado presente, ele não deve ser predominante, não podendo ser excessivamente acre, queimado ou áspero. O amargor deve ser médio a alto, normalmente potencializado pelos maltes torrados. O sabor de lúpulo deve ser baixo a moderado, aceitando lúpulos ingleses e/ou americanos. Normalmente complementam o amargor proveniente dos maltes torrados. Evitar sabores esterificados e diacetil, apesar de aceitos em baixa quantidade (em baixa quantidade, quase sempre são omitidos pela complexidade de malte).

Impressões gerais: Ale escura, maltosa, de aroma e sabor complexo e equilibrado. Possuí um caráter de malte torrado, porém não tão realçado como uma Stout.

Ingredientes: Destaque para os maltes e cereais torrados, sendo o mais comum o Black Patent Malt. São aceitos lúpulos ingleses ou americanos (porém neste caso, os não cítricos). Os lúpulos podem ser usados tanto para amargor, quanto para sabor e aroma. Costuma ter maltes caramelizados que reduzem a agressividade dos maltes e cereais torrados. Maltes especiais para conferir corpo e um dulçor maltado também podem ser utilizados.

 

Elaborando uma receita:

O erro mais comum entre os cervejeiros, é exagerar na quantidade de malte torrado, dando a cerveja um forte sabor de torrefação (característica das stouts). O uso de maltes torrados deve ser equilibrado com o restante da cerveja, trazendo notas que remetem a toffee e chocolate, as vezes a café. Qualquer sabor mais torrado pode facilmente desequilibrar a bebida, tornando-a uma stout.

O grande desafio deste estilo é encontrar um equilíbrio entre  o torrado, o amargor de lúpulo, o dulçor do malte base e dos maltes especiais, o corpo e a atenuação da levedura escolhida.

Equilíbrio:

Antes de falar dos ingredientes, é preciso ter em mente o que significa equilíbrio. Ouvimos tanto esta palavra, equilíbrio, quando falamos de cerveja e hidromel, mas afinal o que ela significa?
Uma cerveja é equilibrada quando todos os sabores e aromas se complementam, ou seja, é possível perceber diversos aromas e sabores individuais, mas sem encontrar onde um aroma termina, onde o outro começa. Sem encontrar qual é mais forte e qual é mais sutil. Todos tem aproximadamente a mesma intensidade, e tendem a um ponto comum, tendem a se complementar.

Malte base:

O malte base pode ser tanto o Pilsen, quanto o Pale Ale. O Marris Otter também atua como um excelente malte base.
Tenho a tendência de sempre utilizar o malte Pilsen como malte base, devido a facilidade de encontrar para comprar e ter o menor custo. Observe que cada malte trás uma característica de dulçor residual, é preciso compensar esta diferença no uso dos maltes especiais.

Segundo o “Designng Great Beers” do Ray Daniels, as Porters levam em média 80% de malte básico (Pale).

Maltes moídos

Maltes moídos

Maltes para corpo e dulçor residual

Maltes como Munich, CaraPils, CaraBlond, tem a capacidade de aumentar levemente o corpo e trazer um sabor residual doce a cerveja. Também podem ser utilizados outras grãos diferentes da cevada, como trigo e aveia, mas estes devem ser usados em pouca quantidade para não sobreporem os outros sabores da cerveja. A soma dos maltes básicos, com os maltes utilizados para corpo deve ser de no mínimo 50%. No “Designing Great Beers” o malte Munich é usado em média 6%.

Maltes caramelizados

O mais comum é o uso do malte Crystal, em suas variações. Mas nada impede o cervejeiro de utilizar maltes como Amber, Biscuit, CaraAroma e outras variedades capazes de trazer um dulçor a cerveja. O grande segredo da Porter é experimentar diversas combinações, até encontrar o equilíbrio entre os diversos sabores e aromas.

Não é recomendado ultrapassar os 20% de maltes caramelizados, apesar disto ser possível. O importante é que todos os sabores estejam em harmonia, em equilíbrio na cerveja. Um não sobressaia sobre o outro. No “Designing Great Beers” o malte Crystal é usado em média 8%.

Maltes torrados

O mais usual é utilizar maltes torrados para chegar na cor, como o Black Patent Malt ou o Chocolate Malt. Mas nada impede o cervejeiro de utilizar cevada torrada. O malte torrado tem um importante fator nas Robust Porters, e ao mesmo tempo deve-se ter cuidado para não transformar sua Porter em uma Stout. A diferença entre as duas é sutil, e historicamente as duas tendem a serem facilmente confundidas (Historicamente a Stout seria uma versão mais forte e lupulada da Porter). No livro “Designing Great Beers” tanto o malte Chocolate, como o malte Black são usado em média 4%. Roasted Barley também é citada no livro, também com 4%, porém bem menos utilizada pelos cervejeiros.

Lupulagem:

O mais usual é uma lupulagem inglesa, utilizando lúpulos como o Target, Fuggles, Goldings, Brewer´s Gold ou Challenger. Mas no livro Designing Great Beers do Ray Daniels ele descreve cervejas finalistas usando diversos lúpulos, como Saaz, Cascade, Willamette. Os mais populares entre os finalistas são o Goldings, Northern Brewer e Willamette. Tanto o aroma como o sabor podem ser moderadamente fracos a moderadamente fortes. O segredo é encontrar um ponto no qual consiga equilibrar o amargor do lúpulo, com o amargor dos maltes torrados, com o corpo e dulçor da cerveja. Em minhas brassagens tenho procurado uma OG:BU de 0,500.

Receita:

Já brassei algumas Porters, e esta receita é fruto de algumas experiências que tive. Ainda não a produzi, e não tenho certeza se o resultado estará dentro daquilo que espero. Comparado com a última Porter que produzi, a receita variou muito pouco. As principais mudanças estão no uso do malte Chocolate no lugar do Black Patent (desconfio que o Black Patent que tinha não estava deixando a cerveja escura o bastante), a adição de mais um malte caramelizado (a receita que fazia levava apenas o malte Crystal 60) e remoção do CaraPils da receita.

74.1% de malte Pilsen

9.3% de malte Munich

5% de CaraRed (Equivalente ao Crystal 40)

5% de CaraMunich I (Equivalente ao Crystal 80)

4,3% de malte Chocolate

31.8IBU de lúpulo Target, adicionados no início da fervura.

Levedura US-05.

OG prevista de 1060.

Estatística da receita, segundo o software BeerSmith.

Estatística da receita, segundo o software BeerSmith.

 

 

Representantes do estilo:

Este estilo tem ótimas cervejas que podem servir de representantes.

Anchor Porter:

Uma das recomendadas pelo bjcp como representante do estilo.

Anchor Porter

Anchor Porter

Forte sabor de torrado, lembrando café e chocolate amargo. Este sabor provavelmente realçado pelo sabor de lúpulo, também bastante intenso. É difícil diferenciar até que ponto o amargor é proveniente do lúpulo ou dos maltes torrados. É possível sentir um certo caramelizado, que suaviza o amargor e o torrado. Corpo médio, meio aveludada, enche na boca. Boa carbonatação. Final relativamente seco, o que dá a sensação de refrescante. No retrogosto tem um sutil sabor de café. É uma cerveja que está no limite entre o suave e o intenso. Bastante complexa, ao mesmo tempo fácil de beber.

Viven Porter:

Viven Porter

Viven Porter

Notas de torrefação, café, chocolate amargo. No sabor o torrado está presente, assim como um pouco de lúpulo, caramelizado e malte. Tem um defumado sutil, quase imperceptível.

Fouder´s Porter:

Founder´s Porter

Founder´s Porter

Rótulo que parece saído de um museu, garrafinha de 330mL que destaca em uma prateleira cheia de cervejas. No copo um líquido negro, aromas de café, toffee, e algo de chocolate. No sabor um amargo, mas um amargo agradável, equilíbrio entre o amargor de lúpulo e dos maltes torrados. O adocicado complementa o sabor do amargo, trazendo complexidade. É um pouco mais intensa que o estilo pede, mas ainda assim um excelente exemplar para usar como referência.

Harviestoun Old Engine Oil:

Harviestoun Old Engine Oil - Porter

Harviestoun Old Engine Oil – Porter

“Tomei uma Porter gostosa, aquela do ratinho”. Então, como mascote um ratinho, a Harviestoun produz excelentes cervejas, e a “Old Engine Oil” é uma excelente Porter para se ter como referência. No copo é negra, lembra um pouco óleo de máquina, aroma leve, mas complexo, tem torrefação, álcool e um pouco de lúpulo. Na boca é consistente, aveludada, cremosa. O sabor algo doce, um pouco de chocolate e torrado que lembra café. O gole termina com um amargor agradável, que complementa o dulçor inicial.

Colorado Demoiselle:

Colorado Demoiselle

Colorado Demoiselle

Notas de torrefação e café. Corpo intenso, amargor presente, e um dulçor que suaviza o amargor.
Final seco, que exige outro gole. O café também está presente no retrogosto.
Um excelente exemplar nacional do estilo.

 

Referências:

https://byo.com/stories/issue/item/2506-robust-porter-style-profile
http://beersmith.com/blog/2008/03/01/beer-styles-making-a-porter-recipe/

Além das páginas, usei como referência informações passadas pelo Pablo Carvalho em uma palestra que ele deu a ACervA Mineira, em 2013, e o livro “Porter” da série “Brewing Classic Styles”.

postheadericon Pumpkim Ale: BrewDay na Küd, 25 de maio

Introdução:

Em uma visita a Küd tive a honra de presenciar a: “Primeira Pumpkin Cask Ale Com Abóboras e Especiarias Puro Malte Com Dry Hopping na Fervura do Brasil, de acordo com a Reinheitsgebot, lei da pureza da Baviera de 8.000 a.c.”.

Pessoal tomando uma durante a produção.

Pessoal tomando uma durante a produção.

 

Como sempre, fui muito bem recebido na Küd. Tinha Tangerine, Ruby Tuesday, Blackbird (que me recordo) nas chopeiras e Kashimir direto do tanque.

Tanque experimental da Küd o tanque mais Roque de lá (Entendedores entenderão).

Tanque experimental da Küd o tanque mais Roque de lá (Entendedores entenderão).

ZueirAle:

Como podem ver pelas fotos e nome da cerveja, foi bastante diversão nessa brassagem. A zueira definitivamente não tem limites.

Batizando o tanque.

Batizando o tanque.

O estilo Pumpkim Ale:

Pablo adicionando a abóbora na panela.

Pablo adicionando a abóbora na panela.

Como o nome diz, é uma Ale com adição de abóbora. Normalmente entre uma Pale e uma Amber, com aromas e sabores de fermentação bem neutros. Tem baixo IBU, o que ajuda a ressaltar o sabor e aroma da abóbora. Os maltes e suas quantidades são escolhidos de forma a complementar o sabor da abóbora, trazendo uma cerveja única. Para fechar a conta, esta cerveja costuma ter adições de especiarias, como canela, nos-moscada, gengibre, cravo ou temperos usados em tortas de abóbora. Na Küd eles utilizaram um tempero secreto, bastante aromático.

Em um Becker mosto sem a adição das especiarias, no outro com, para comparação.

Em um Becker mosto sem a adição das especiarias, no outro com, para comparação.

É preciso que as abóboras estejam frescas, e é recomendado um cozimento antes. É preciso tirar as sementes e a casca. Se planeja produzir uma Pumpkim Ale, reserve o dia. Não é raro relatos de cervejeiros que tentaram, e sofreram com brassagens problemáticas, como entupimento na recirculação.

Dica: para uma boa Pumpkin Ale, você precisa intimidar a abóbora até ela amolecer.

Dica: para uma boa Pumpkin Ale, você precisa intimidar a abóbora até ela amolecer.

O lúpulo deve ser adicionado com o objetivo de suavizar o dulçor causado pelos maltes e pela abóbora. Lúpulos de aroma não são desejados, pois podem sobrepor as especiarias e o aroma da abóbora.

Alencar e João Becker amarrando as especiarias, para coloca-las na fervura.

Alencar e João Becker amarrando as especiarias, para coloca-las na fervura.

A adição de especiarias deve ser sutil, de forma a complementar o aroma da cerveja. Não é desejado um chá de especiarias, mas algo como aquele aroma sutil que sabemos que tem um algo a mais ali, mas difícil identificar. Aroma de especiaria sutil, quase sempre trás complexidade.

Precisa da ajuda de algum cervejeiro aí Alencar?

Precisa da ajuda de algum cervejeiro aí Alencar?

Estou bastante curioso pelo resultado dessa cerveja, imagino que deve ficar sensacional.

postheadericon Concurso da ACervA Mineira e Brasil Beer

Introdução:

Ano passado quando participei pela primeira vez, escrevi este texto: http://www.engenhariadacerveja.com.br/2013/iii-concurso-da-acerva-mineira/

Este ano tenho muito mais o que escrever, a alegria é tamanha que não sei por onde começar.

No momento da publicação deste post, estou brassando juntamente com o Fãbio e o Wallace uma cerveja “secreta” para um concurso aí (depois do concurso, mais detalhes).
Diferentemente do ano passado, este ano a premiação foi dividida em duas partes, sendo a primeira para premiar as categorias (Roggenbier, Cream Ale, Bohemian Pilsener, American Pale Ale e Estilo Livre), e a segunda o 1° e 2° lugar do Best of Show.

Best of Show! Da esquerda para direita: José Bento, Eu, Juliano e Fabiana Arreguy.

Best of Show! Da esquerda para direita: José Bento, Eu, Juliano e Fabiana Arreguy.

Este texto, como devem estar imaginando, era para ter saído bem antes. Mas na correria do dia a dia, estava (e ainda estou), sem tempo de ir buscar as fichas de avaliação. Queria ter as fichas para poder falar sobre a cerveja, porém, parando para pensar, vou envia-las também para o concurso nacional, e não publicar ainda sobre a cerveja pode ser útil. Espero que me entendam, e prometo divulgar a receita após o nacional.

Agradecimentos:

Primeiramente obrigado a ACervA Mineira, os juízes, voluntários e toda a organização que faz este concurso ser possível.
Muito obrigado, de coração, a todos que em qualquer momento serviram de cobaias para minhas experiências. Principalmente no começo.
Muito obrigado aqueles que contribuíram de alguma forma para que chegasse aqui, seja com equipamentos (valeu Tio Arlindo pela panela!), conhecimento (Valeu Pablo, Alencar, ACervA e IMC!), ou apoio.
Obrigado aos patrocinadores, curti bastante os prêmios, e alguns ainda não pude ir ou beber. Desculpe se deixar passar algum patrocinador, estou tomando como base aqueles que recebi alguma premiação:

Alguns dos prêmios que levei para casa.

Alguns dos prêmios que levei para casa.

Lamas Brew Shop

Bier and Wein

Uma das cervejas que ganhei. Prêmio dado pela Gusto. Gostei demais dessa Dubbel.

Uma das cervejas que ganhei. Prêmio dado pela Gusto. Gostei demais dessa Dubbel.

Gusto
Mamãe Bebidas
Rima dos Sabores
CCCP
Cervejaria Seu Romão
Agosto Butiquim
Kobes
Adriano Imperador da Cerveja

A Casa OLEC também foi um dos patrocinadores.

A Casa OLEC também foi um dos patrocinadores.

Casa Olec: R$120 (70+50) em vale-compras na loja. Deste valor saiu os maltes especiais de 2 cervejas, uma pretendo enviar para o concurso BH Homebrew e a outra o concurso da Eisenbahn.

Também não posso esquecer, a Casa OLEC teve uma participação importante neste prêmio, foi a primeira cerveja feita no fermentador cônico que comprei com eles.

Fermentador cônico de 50L, fabricado pela Indupropil e revendido pela Casa OLEC.

Fermentador cônico de 50L, fabricado pela Indupropil e revendido pela Casa OLEC.

Cervejaria Munchkin: Uma garrafa da cerveja Gosfraba. Que cerveja gostosa! Podem me mandar mais umas 10, e a receita!

Gosfraba da Munchkins. Deliciosa, podem mandar mais!

Gosfraba da Munchkins. Deliciosa, podem mandar mais!

Obrigado a Revista da Cerveja, algumas fotos peguei do facebook deles.

Entrevista que dei para Letícia da Revista da Cerveja.

Entrevista que dei para Letícia da Revista da Cerveja.

A cerveja:

Ideia inicial:

Foram utilizados malte Pilsen, malte Crystal, malte Black Patent, trigo maltado e aveia não maltada. Lúpulos Brewer´s Gold e Fuggles. Levedura S-33, e adição de castanhas de Caju e do Pará.

Primeira garrafa aberta da "Castanheira", 1° Lugar no concurso da ACervA Mineira no estilo livre, e Best of Show.

Primeira garrafa aberta da “Castanheira”, 1° Lugar no concurso da ACervA Mineira no estilo livre e Best of Show.

Ao final ela ficou com cerca de 7,5%abv e 30 IBUs.

O acidente:

Confesso ter sido completamente inesperado o prêmio de 1° lugar no estilo livre, mais ainda ao saber que foi Best of Show. Sabia que a cerveja estava boa (sendo sincero, a achei doce demais e temia que isso estivesse prejudicando a drinkability), mas não imaginava que tanto. Enviei para o concurso interessado na ficha de avaliação, pois dela saberia se a combinação de maltes que fiz, realmente produz o resultado que esperava.

A princípio, achava que o concurso mineiro não teria estilos definidos, como será o nacional. Portanto tinha preparado uma ESB e uma English IPA para enviar. Ao ficar sabendo que o concurso não teria estilo definido, optei por adicionar algum ingrediente a cerveja que estava fermentando, para inscreve-la no estilo livre.
Pensei em diversas coisas, café, jabuticaba, cachaça, boldo, pitanga, cagaita.
Acontece que todos estes ingredientes já haviam sido utilizados por outros cervejeiros em concursos anteriores, e não sabia como encaixa-lo na cerveja de modo a se complementarem (um importante ponto do estilo livre é o equilíbrio da cerveja).

IPA que pretendia mandar para o evento. Acredito que seja uma das melhores receitas que tenho.

IPA que pretendia mandar para o evento. Acredito que seja uma das melhores receitas que tenho.

Ao final da maturação, retirei uma amostra do tanque e senti um sabor que me lembrou nozes e chocolate. E pensei em adicionar as castanhas de modo a complementar este sabor.

Dicas para concurso:

Na dúvida de em qual estilo encaixar, lembrei de um dos workchops que participei ano passado. Em um dos workchops foi dada a seguinte dica: “Somente coloque o estilo da cerveja, se tiver certeza que ela se encaixa no estilo. Por exemplo, você fez uma Porter com café, eles irão avaliar uma Porter com café. Entretanto, se colocar Cerveja Forte Escura com adição de café, eles irão avaliar uma cerveja escura que tenha café.”
Como dá para perceber na dica, as vezes inscrever a cerveja como “Cerveja forte escura adicionada de alguma coisa”, no estilo livre, pode ser benéfico para sua avaliação. No meu caso, foi bastante benéfico, pois não sabia em qual estilo encaixar, e inscrevendo assim, o juiz avalia a cerveja de uma forma geral, sem as limitações de cada estilo.

Outra dica foi o texto: “Pense como o juiz”. Para um juiz de cerveja, não interessa a receita (até porque ele não tem acesso a ela), mas sim a cerveja. Inscreva sua cerveja pronta, não a receita. Fez uma Pilsen, mas ela ficou escura e com gosto de café? A inscreva como uma cerveja escura, ou algum estilo que as característica se encaixe melhor.
Você fez uma porter com mel e café. Só que ficou clara e o mel sumiu. O que fazer? Inscreva como Cerveja clara com adição de café.
Você não é obrigado a falar todos os ingredientes, nem qual estilo tinha em mente quando produziu. Apenas precisa especificar o que a cerveja tem de diferente, para entrar como estilo livre. Pode ser algum ingrediente ou algo diferente no processo (como steinbier), mas precisa ser notado na cerveja pronta. Assim como estilos que tem características particulares, devem ser facilmente notados. Por exemplo, o estilo american IPA é amargo, porém, de alto drinkability. Então não adianta só fazer um chá de lúpulo, é preciso encontrar o ponto de equilíbrio. Ou seja, entenda sobre o estilo que deseja produzir, pesquise e elabore a receita com base no que sabe, não em receitas prontas.

Festa de premiação da ACervA:

O grande diferencial da festa deste ano foi a ausência de cervejas comerciais na festa. As diversas chopeiras tinham engatados cervejas caseiras, produzidas sob medida para a festa.
Entre as diversas cervejas, me recordo de algumas feitas a partir de kits doados pelo Lamas (lembro que bebi alguns copos de witbier, levinha, ideal para festa), lembro também da Smoked Porter e sua versão com pimenta feita pelo Matheus da Casa OLEC, uma stout com frutas vermelhas, uma Black IPA porrada do Fabiano e uma American Ale (não lembro quem brassou).
Fora as diversas garrafas, entre elas as que sobraram do concurso. Experimentei várias cervejas, cada uma com sua particularidade.
O pessoal da ACervA esteve em peso na festa e foi bastante interessante conhecer membros mais antigos que não conhecia e alguns que entraram tem pouco tempo. Realmente acho uma pena serem poucos estes encontros.

Brasil Beer

O evento em geral:

O evento em geral foi muito bom. Tinha diversas cervejarias presentes, alguns alambiques e vários stands de comida. Ao meu ver, pecou um pouco na organização, por querer trazer práticas que foram sucesso na cachaça, para o mundo da cerveja. Por exemplo, a música, que para os apreciadores de cachaça o sertanejo é popular, enquanto para os apreciadores de cerveja o rock é mais popular.

Stands:

Diversas cervejarias presentes em peso no evento. Infelizmente experimentei poucas cervejas, por ter passado a maior parte do evento fazendo cursos e palestras, mas me recordo de ter passado pelo stand do Monge, da Way, da Kud, da Wals, da Cara Preta e da Ouropretana.
Esperava stands de cervejarias internacionais, mas no momento não me recordo de nenhuma no evento.
O Rima dos Sabores mais uma vez surpreendeu, desta vez com uma versão do porcone recheada com feijão tropeiro.

Espaço da ACervA:

Gostei demais da parceria entre a ACervA e os organizadores do evento. No primeiro dia do evento a ACervA abriu o espaço para ocorrer um cerveja na praça, onde os caseiros (filiados ou não a ACervA) que participaram ganharam o ingresso do dia, dando acesso a todo o evento, além do espaço da ACervA.
Neste cerveja na praça teve a presença de fiscais e diretores do MAPA de Minas Gerais, onde eles e nós, tivemos a oportunidade de conversar e experimentar diversas cervejas caseiras, provando que o caseiro é capaz de fazer uma cerveja tão boa quanto, e muitas vezes melhor, que as comerciais (tanto que diversas cervejarias tem comprado receitas dos caseiros). A presença do MAPA é apenas mais um fruto do excelente trabalho que vem sendo realizado pela ACervA Mineira.

Cursos e palestras:

Muito massa as palestras que assisti no sábado, e bastante interessante o curso de análise sensorial (também no sábado).
Fica aqui um agradecimento ao pessoal da Cervejaria Fortuna (apesar do nome são caseiros), pelas ótimas dicas de como se utilizar madeira na cerveja. Já tinha alguns experimentos em andamento, mas em breve pretendo expandi-los.
Também um agradecimento ao Carlos pelo curso de análise sensorial. Valeu o investimento.
Muito obrigado a todos os palestrantes por disponibilizarem o material para quem participou, deste modo em um futuro posso rever o que foi dito.

Conclusão:

Venho trabalhando em um ritmo intenso, somado ao final de semestre na faculdade. Os dias 24 e 25 (o dia 25 que merece um post só para ele), foram um descanso bem renovador, com excelentes notícias, muita diversão, cerveja e alegrias! Como todos eventos cervejeiros, foi altamente gratificante, ter o feedback de uma cerveja sua é algo incrível, e o desejo de melhorar mais e mais é algo viciante. Como disse no post passado, tenho orgulho de ser homebrew.

No momento que publico este post, está sendo brassada uma cerveja que nasceu no dia 24 de maio, entre os workchops e palestras, ganhei um vial de uma das leveduras da Bio4, e dali nasceu uma cerveja caseira colaborativa, que em breve poderei falar mais sobre ela.